O escritor ponderava sobre pessoas que dizem ter visto o frio do poema sem nunca terem cheirado o livro.
O título do texto já é um penhor de conhecimento, não sendo mais necessário, muitas vezes, qualquer resgate da obra. Os que não viajaram com Dante, nada podem dizer contra a certeza de um nome.
Se o falso leitor diz “Palimpsestos da primavera” nos faz refletir sobre a condição existencial humana, quem duvidará?
O poeta então resolveu escrever palavras sem título: apenas pedaços de texto, soltos na página de verão. Como o mesmo se aplicasse aos livros, também pensava em publicá-los apenas com a perene indicação: “sem título”.
Acontece que, para a maioria dos leitores, a natureza é inversa: o floreado do estilo sorri menos que o folhear das páginas. E o escritor, assim esquecido, nunca viu o outono de sua literatura.
Mas assim se constroem as bibliotecas.
28 Julho 2006
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1 comentários:
Não escrever nada, é uma estagio intermediario para um novo conhecimento!
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