O ladrão fizera fortuna mais-que-perfeita roubando de casa em casa, na calada da noite.
Na juventude, saltava muros e escalava paredes com fios e confiança. O passo era leve para assim levar mais. Mas os anos se passaram, e o desejo de contemplação roubou o lugar da agilidade. Necessário aproveitar um pouco da vida — dizia para si mesmo. Trabalhou, então, mais uns anos a fio, para acumular matemática suficiente. Depois, aposentou-se de assalto e abriu o próprio negócio: uma bucólica e matutina mercearia.
Hoje, dorme sobressaltado, com medo de roubarem-lhe o patrimônio.
14 Julho 2006
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3 comentários:
Embora seja outra a temática, esse texto me lembrou uma conversa que tive sobre o ciúme, há alguns dias. No meio de explicações furadas, divagações, especulações e afins, concluímos que o excesso de desconfiança parte de um comportamento, infelizmente, comum: pessoas que julgam o próximo por si. É aquela história do "se-eu-fiz-ele(a)-também-vai-fazer".
Por fim, prevalece o bom e velho ditado: "Quem não deve, não teve."
Adorei o toque de irônia do seu sofrido final. ;)
Bjo, menino!
Lia.
Particularmente, eu definiria este texto( que por sinal é muito belo) com apenas uma frase: '' NÃO FAÇA COM OS OUTROS, AQUILO QUE VOCE NÃO GOSTARIA QUE FIZESSE COM VOCE''!
Acho que esse é um dos problemas do nosso cotidiano, principalmente, quando trata-se de jovens!
Não atire pedras no telhado do vizinho se o seu é de vidro...
Isso soa piegas...
E o pior é que é realidade.
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