Há poucos dias, andei mexendo em papéis velhos, coisas antigas, arrumando gavetas. Achei preciosidades, não quanto ao valor estético, mas sim ao histórico. E já que a época é de vestibular, aqui coloco a redação que fiz quando prestei vestibular para Letras, na UFBa, seguindo o tema: "Bahia, Bahia, que lugar é este?", desencavada destes papéis velhos:
Triste Bahia
A despeito do que se possa pensar da leitura desavisada de folhetos turísticos, não é a Bahia a “terra da felicidade” como já se apregoou aos quatro ventos. Não é só belezas naturais. Não só mulatas. Não só Carnaval. Como, aliás, todo o Brasil não o é. É ela reflexo dessa mesma realidade brasileira. E, da mesma forma que o país, o Estado e o nosso estado são contrastantes.
Mas, e a Bahia do cartão-postal? a Bahia ecumênica dos livros de Jorge Amado? Também há, por certo. No entanto, por trás do sorriso da baiana, existe a cárie da sua pobreza. Façam silêncio e vejam essa flor: por entre as cordas que separam a alegria dos foliões, eis que surge ele, com a fantasia cotidiana, o catador de latas. Catando o resto de uma alegria que nunca teve e terá. Por trás de toda beleza da cultura afro existe a impossibilidade de esses mesmos negros se orgulharem da sua cultura.
De nada adianta rotular a Bahia como “Terra festeira, de gente bonita”. Isso é falso. Dona Flor hoje teria que ser prostituta na Montanha. Não se deve falar apenas dessa Bahia. A não ser que se queira falsear. A não ser que se queira mascarar uma realidade que privilegia a poucos. Poucos que manipulam a maioria incutindo-lhes essas idéias de felicidade coletiva. Esse pão-e-circo baiano ainda funciona a cada Lavagem do Bonfim, a cada Iemanjá. Santos e orixás se misturam e ajudam a perpetuar a imagem de um povo alegre.
“Triste Bahia”? Sim, ainda a triste Bahia da época de Gregório. Explorada. Injusta, vendida e bastarda. Com belezas, por certo. Mas que não devem encobrir a feiúra de sua população. Povo na maioria pobre, sem acesso à cultura. Povo que volta suado pra casa a cada dia de trabalho em ônibus apertados e velhos, num engarrafamento de sonhos e frustrações. “Eis aqui a Cidade da Bahia”.
Triste Bahia
A despeito do que se possa pensar da leitura desavisada de folhetos turísticos, não é a Bahia a “terra da felicidade” como já se apregoou aos quatro ventos. Não é só belezas naturais. Não só mulatas. Não só Carnaval. Como, aliás, todo o Brasil não o é. É ela reflexo dessa mesma realidade brasileira. E, da mesma forma que o país, o Estado e o nosso estado são contrastantes.
Mas, e a Bahia do cartão-postal? a Bahia ecumênica dos livros de Jorge Amado? Também há, por certo. No entanto, por trás do sorriso da baiana, existe a cárie da sua pobreza. Façam silêncio e vejam essa flor: por entre as cordas que separam a alegria dos foliões, eis que surge ele, com a fantasia cotidiana, o catador de latas. Catando o resto de uma alegria que nunca teve e terá. Por trás de toda beleza da cultura afro existe a impossibilidade de esses mesmos negros se orgulharem da sua cultura.
De nada adianta rotular a Bahia como “Terra festeira, de gente bonita”. Isso é falso. Dona Flor hoje teria que ser prostituta na Montanha. Não se deve falar apenas dessa Bahia. A não ser que se queira falsear. A não ser que se queira mascarar uma realidade que privilegia a poucos. Poucos que manipulam a maioria incutindo-lhes essas idéias de felicidade coletiva. Esse pão-e-circo baiano ainda funciona a cada Lavagem do Bonfim, a cada Iemanjá. Santos e orixás se misturam e ajudam a perpetuar a imagem de um povo alegre.
“Triste Bahia”? Sim, ainda a triste Bahia da época de Gregório. Explorada. Injusta, vendida e bastarda. Com belezas, por certo. Mas que não devem encobrir a feiúra de sua população. Povo na maioria pobre, sem acesso à cultura. Povo que volta suado pra casa a cada dia de trabalho em ônibus apertados e velhos, num engarrafamento de sonhos e frustrações. “Eis aqui a Cidade da Bahia”.


5 comentários:
Salvar no meu PC. Pode ser útil como esboço. heheheheh...
Poxa! Gostei muito! Você era tão mais profundo antigamente... Como será que ficou assim? risos Brincadeira amori, na verdade eu li as primeiras frases em busca de um erro ortográfico, que aproximasse mais os professores de português dos homens comuns, mas não achei! E depois concluí que, ainda que eles tivessem existido, você já teria dado cabo neles!!! risos. Conceitrei-me no conteúdo e gostei. Você escreve bem.
Beijos bastantes (aprendi esse negócio de "bastante" e agora só quero saber disso)
Tata
Tirou quanto?
Tirei 14, valendo 15.
mto bom *-*
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