O menino ingênuo colecionava canhotos das entradas de filmes a que assistira durante sua pouca vida. Um dia, enquanto arrumava a coleção, distraiu-se a lembrar as histórias vividas, e um vento de abril levou-lhe as lembranças materializadas. Grande tristeza abateu o menino.
Ofereceram-lhe o impossível: canhotos idênticos — os mesmos filmes, a mesma data.
E, apesar da sua ingenuidade, o menino sabia que nunca seria igual.
Ofereceram-lhe o impossível: canhotos idênticos — os mesmos filmes, a mesma data.
E, apesar da sua ingenuidade, o menino sabia que nunca seria igual.


5 comentários:
bilhetes... namoradas... amigos...
Tempos q n voltam mais... Q pena, hein?
Não há pena para o que não volta, mas receio para o que vem...
A dúvida é o preço da pureza. tal frase me persegue há alguns dias. Reflito sobre seu significado e acho que tem mesmo a ver com tal questão abordada no texto...
Queria ser mais ingênuo, mas se assim fosse também o mundo, e eu pudesse jogar, para sempre, sem me preocupar com ralhas, gude na pracinha... Acertando os buracos.
Mas hoje o buraco é mais embaixo.
Queria, como o menino, meu bilhetes de volta.
Tem um dingle que é a moral do seu texto, era assim: "o tempo passa o tempo voa e a poupança Banco* continua numa boa...."
O Banco faliu.
Método Mainêutico: Então, melhor admirar os filmes assistidos ou buscar as próximas sessões?
Perguntou Sócrates, mas ai tomou sicuta...
*Só pra não fazer propaganda ou pra não cobrarem direitos autorais.
Um dia o menino vai crescer, e, vivendo nesse mundo efêmero, onde até as pessoas são facilmente substituídas, esquecerá dos bilhetes perdidos.
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